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quarta-feira, 6 de maio de 2009

EVOLUÇÕES RETRÓGRADAS - CASO 1

A ânsia por criar gráficos em três dimensões é tão grande que não se contenta com gráficos circulares transformados em tortas flutuantes ou em rodas. É também necessário dar profundidade à linha de um gráfico de evolução, que teoricamente não tem profundidade.

O gráfico abaixo transforma uma linha num plano quando adiciona a dimensão de profundidade, o que não traz informação nova, mas apenas confusão. É esperado do leitor que ele acompanhe a linha formada pela parte da frente ou de trás do plano?

Além disso, a escala vertical não começa no zero, aumentando a percepção da variação. Se colocada numa escala de base zero, o gráfico mostraria quase uma constante.

Este gráfico apresenta apenas seis números (três anos, e três valores), e ocupa uma área considerável do relatório. É um exemplo de representação de dados de baixíssima densidade. Poucas publicações têm uma densidade de dados por centímetro quadrado tão baixo como este gráfico. Seria muito melhor ter usado uma tabela, que ocuparia uma fração do espaço e realizaria o mesmo trabalho.

Gráfico do relatório de um programa social do governo brasileiro, mostrando a evolução dos recursos aplicados. Um gráfico de evolução espaçoso e em 3D para representar apenas seis números. Uma tabela teria realizado o mesmo trabalho ocupando apenas uma fração do espaço deste gráfico.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

GRÁFICOS DE EVOLUÇÃO - INTRODUÇÃO

Eles são chamados gráficos de evolução porque mostram a variação ao longo do tempo, e geralmente usam linhas, que sobem ou descem, e fazem uso da nossa percepção que para cima é mais, e para baixo é menos. Eles são ótimos para indicar tendências.




À esquerda [O Estado de São Paulo, 16 de setembro de 2007, pág. B4. Imagem digitalizada a partir do original], exemplo de um bom gráfico de evolução, mostrando as variações de investimento no Brasil desde o começo do plano Real em 1994. À direita [O Estado de São Paulo, 16 de setembro de 2007, pág. B20. Imagem digitalizada a partir do original], um gráfico mostrando a evolução da produção brasileira de leite; a base não-zero faz parecer ao leitor desatento que a produção aumentou em 12 vezes, mas na realidade aumentou em menos da metade.

Mas assim como nos gráficos de barras, se a escala dos gráficos de evolução não for constante ou não estiver claramente indicada, o resultado será um leitor confuso ou enganado.

Os gráficos de evolução facilmente aceitam outros tipos de escala que não a linear, como as escalas logarítmicas, que são muito úteis para exibir diferenças de valores enormes com alguma precisão, mas acabam totalmente com a imaginação; é muito difícil abstrair tendências corretas ou relações entre valores em tais escalas, a não ser que você seja muito treinado.