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sexta-feira, 1 de maio de 2009

TORTAS AZEDAS - CASO 5

O gráfico de rosca a seguir mostra a distribuição das vendas entre as regiões brasileiras de uma estatal brasileira. É um exemplo de gráfico que poderia ser perfeitamente projetado em uma perspectiva em 2D, mas a preocupação com o estilo e de fazer o relatório anual parecer legal e moderno, fez com que se escolhesse a representação em 3D, que somente distorce o gráfico.

O gráfico está distorcido, mas de forma irregular. Não é possível concluir se o gráfico está inclinado para a esquerda, direita, ou se está em forma ovalada. A espessura da rosca parece variar também. Este gráfico é quase um desenho projetado para causar ilusão de ótica. A fatia da região Sudeste que é indicada com 56,2%, no gráfico parece contar com menos da metade da área, enquanto os 5,4% da região Norte parecem maior que o devido.

Gráfico do relatório anual de uma estatal brasileira, mostrando a distribuição das vendas entre as regiões do Brasil. Outro exemplo de como o desnecessário uso da perspectiva em 3D deforma os gráficos.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

TORTAS AZEDAS - CASO 4

O gráfico de torta abaixo foi retirado do relatório social anual da mesma empresa do exemplo anterior, e mostra a relação dos valores distribuídos aos segmentos da sociedade. Este é um claro exemplo de uso desnecessário de uma perspectiva em 3D, que não adiciona nenhuma informação, somente “lixo de gráfico.”

Este gráfico sofre de “despenhadeirite”, que é esta representação de altura que aparece em torno da torta, mas que não traz nenhum valor numérico, e só confunde e distrai.

Gráfico retirado do relatório social anual de uma grande empresa, ilustrando a distribuição dos lucros nos segmentos da sociedade. Um exemplo de uso desnecessário de perspectiva em 3D.
Além disso, a representação em perspectiva dos gráficos em 3D distorce o tamanho relativo das partes do gráfico, conferindo maior tamanho às fatias que estão na frente, e relativamente diminuindo as fatias na parte de trás. As pessoas vão pensar que as fatias de baixo são as mais importantes.

No gráfico anterior, as fatias enfatizadas na parte da frente são os lucros repassados ao governo e aos funcionários, e a fatia que está na parte de trás é a dos lucros retidos pela empresa, uma coincidência bastante suspeita.

É um truque comum colocar a fatia que você quer enfatizar na parte de baixo da torta, e aumentar o quanto for possível a altura da torta, e incliná-la o máximo para trás, como no gráfico a seguir. Nele, a distorção das fatias é bastante evidente.

Gráfico retirado do relatório de um órgão governamental europeu. As distorções pela perspectiva são aumentadas com o aumento da altura e da inclinação da torta. Note que o produtor ainda teve o cuidado de adicionar a sombra da torta. Ao confeccionar este gráfico, acredito, já estava sofrendo de insolação.
Caso o produtor ainda não esteja satisfeito com o grau de distorção causada pela perspectiva num gráfico de torta, ele pode colocá-la na vertical e transformar a torta numa roda. As fatias da parte de baixo da roda são apresentadas com um tamanho relativo menor em comparação com as fatias da parte de cima.


Gráfico retirado do relatório anual de uma grande estatal brasileira. Colocar as tortas na vertical e transformá-las em roda agrava ainda mais os problemas do leitor, que além de continuar sendo enganado pela perspectiva, não está familiarizado com este desenho não usual.

Mesmo com todos os efeitos tridimensionais que os computadores nos oferecem ao esforço de um click, parece que essas opções não são mais suficientes para saciar a sede dos produtores que estão mais interessados em valorizar o recipiente do que o conteúdo, ao preço de adicionar mais “lixo de gráfico”. O produtor do gráfico a seguir não ficou satisfeito com a perspectiva em 3D do gráfico de torta, e decidiu adicionar imagens de fotos como textura para cada fatia.

Gráfico retirado do relatório anual da administradora de um porto brasileiro. As fatias ao invés de serem coloridas, são cobertas pela imagem de fotos. Mais um exemplo de preocupação com o estilo que supera a preocupação com a compreensão.
Não é porque os recursos computacionais disponíveis nos permitem criar tais “obras de arte” que devemos considerar que elas são as melhores opções para levarem ao entendimento, e nem devemos cair na tentação de usá-las nos casos em que não agregam informação. Gráficos mais bonitos não são intrinsecamente melhores. Quase todas as demandas por gráficos são satisfeitas por desenhos simples em duas dimensões, que não são tão chamativos, mas levam o leitor à compreensão.

terça-feira, 31 de março de 2009

TORTAS AZEDAS - CASO 3

Já o gráfico abaixo que mostra os benefícios a empregados de uma grande empresa brasileira, apresenta a rotulação direta ao invés da legenda, o que facilita a leitura. No entanto, há muitas fatias pequenas (entre elas há quatro fatias com o valor de 1%) que são difíceis de visualizar, o que dificulta a comparação entre cada fatia e o todo.

Este não é um caso extremo, como o dos gráficos de torta com dezenas de fatias; mesmo este tipo de gráfico ainda se mostra adequado para esta situação. Entretanto, o uso de uma tabela, ou um gráfico de barras, seriam outras boas opções.

Gráfico de barras do relatório social anual de uma grande empresa, mostrando os benefícios a empregados. Note a quantidade de fatias muito pequenas, que dificultam a comparação entre as partes e o todo.

segunda-feira, 30 de março de 2009

TORTAS AZEDAS - CASO 2

O gráfico a seguir é um caso onde não há erros, mas que poderia ser facilmente melhorado. Ele mostra o valor dos estoques de uma grande estatal brasileira, em gráfico de torta, com apenas quatro valores. Ele poderia ser facilmente rotulado diretamente, dispensando a legenda logo em baixo, facilitando a sua leitura e comparação entre as partes.

Gráfico de torta retirado do relatório anual de uma estatal brasileira. Ele poderia ser melhorado com uma rotulação direta, dispensando a legenda logo abaixo.

domingo, 29 de março de 2009

TORTAS AZEDAS - CASO 1

O gráfico a seguir é um exemplo de uso equivocado dos gráficos de tortas. Este tipo de desenho deve ser usado para representar proporções, relações, porcentagens, ou qualquer outra medida de relação entre um todo e suas partes.

Este gráfico não indica a relação entre as fatias e o todo. O leitor só sabe o valor absoluto de cada fatia. Para saber o valor absoluto de toda a torta, deverá somar o valor de todas as fatias, e caso deseje saber a relação entre as partes e o todo, deverá dividir o valor de cada fatia pelo valor total da torta. Depois de constatado todo este trabalho, não seria melhor ter apresentado os valores um uma tabela? Afinal, o objetivo deste tipo de gráfico, que é a comparação, foi totalmente derrubado pela inabilidade do produtor.

Gráfico retirado do relatório de um programa das Nações Unidas. Gráficos de tortas podem até indicar valores absolutos, desde que indiquem as relações em primeiro plano, para dar o enfoque correto ao leitor.

sábado, 28 de março de 2009

GRÁFICOS CIRCULARES - ARMADILHAS - PARTE ÚNICA

Tenha em mente que os gráficos circulares são para porcentagens, razões, frações, representações decimais ou qualquer outra aplicação para mostrar a relação de proporcionalidade entre a fatia e o todo. As tortas nunca devem ser usadas para mostrar valores absolutos.
Não está necessariamente errado indicar os valores absolutos juntamente com os valores de proporcionalidade, desde que estes estejam em primeiro plano. Quando as fatias das tortas são rotuladas com porcentagens ao invés de quantidades, o leitor irá focar corretamente na importância relativa das fatias ao invés de seus valores absolutos.

O gráfico circular a seguir indica o valor das fatias apenas pelos seus valores absolutos, dificultando ao leitor a comparação entre as partes, o que é justamente o objetivo deste tipo de desenho.

Gráfico circular comparando a mortalidade da tuberculose com a de outras doenças transmissíveis, indicando valores absolutos ao invés de uma medida de proporção. Valores absolutos em gráficos de torta dificultam o raciocínio do leitor. [Annuario de Estatística Demographo-Sanitaria de 1908, pelo Dr. Cássio de Rezende, Imprensa Nacional, Rio de Janeiro, 1910. Figura entre as páginas 26 e 27. Documento disponível em http://memoria.nemesis.org.br]

Além disso, como nos gráficos circulares os valores são sempre relativos ao total, não apresentam valores absolutos, e o valor do todo está quase sempre escondido de você; o que pode ser usado como um truque, ou como uma virtude deste tipo de gráfico. Quando você se perguntar qual o valor monetário de uma fatia que indica 26% num gráfico circular sobre vendas de um produto, você não saberá.

Por essas características, é importante saber quando é melhor usar um gráfico circular ou partir para outro tipo de representação gráfica. Para comparar valores, as retas, como no gráfico de barras, são muito mais eficazes. Para comparar apenas percentuais simples, use um gráfico circular.

Além disso, para pequenos conjuntos de dados, uma tabela quase sempre é melhor do que um gráfico de torta bobo, ou pior, vários deles. As tabelas são mais simples e ocupam menos espaço que gráficos de tortas, enquanto fazem o mesmo trabalho para conjuntos de poucos dados.

sexta-feira, 27 de março de 2009

GRÁFICOS CIRCULARES - INTRODUÇÃO

Os gráficos circulares também são conhecidos como gráficos de pizza ou de torta. Eles são utilizados quando queremos perceber a relação entre as partes e o todo. Mas também têm suas limitações.

Primeiramente, estes gráficos só devem ser usados com medidas de proporção, nunca com valores absolutos. Além disso, eles funcionam efetivamente apenas quando as fatias são substanciais; fatias demais resultam em porções impossíveis de comparar ou até de detectar. E também, a área do círculo é uma forma inadequada para comparar quantidades simples, porque é impossível compreender pelo olhar a relação entre o diâmetro e a área de um círculo.

Hoje os gráficos de tortas são muito populares, por serem muito fáceis de serem criados no computador. Ao mesmo tempo, são tão propensos a serem mal usados ou distorcerem os dados, que Jones [JONES, Gerald Everett. How to Lie with Charts: Second Edition: Second Edition. Santa Monica: La Puerta Productions, 2007, pág. 19] brinca ao escrever: “Tortas: quando estiver em dúvida, jogue uma neles!

Um bom exemplo de gráfico de torta, mostrando a distribuição das vagas de emprego nos setores do mercado de trabalho. Não há excesso de fatias, e nem fatias muito pequenas. Este tipo de comparação é o uso ideal para este tipo de gráfico. [O Estado de São Paulo, 16 de setembro de 2007, pág. Ce4. Imagem digitalizada a partir do original]

No gráfico circular a seguir, apenas as bordas do círculo são representadas, formando o que é conhecido como gráfico de rosca. Este tipo de gráfico tem a vantagem de evitar um problema intrínseco dos gráficos de torta, que é a dificuldade visual de se distinguir a relação entre o raio do círculo, que é constante, e a área do círculo que representa o valor da variável, e varia em uma proporção do quadrado do raio, portanto não linear.

Gráfico de rosca retirado do relatório anual de um grande banco brasileiro. Um bom exemplo de gráfico: simples, sem excesso de fatias, e com rotulação direta.