Quando você tiver que produzir gráficos, seja bom com os seus consumidores e tome alguns cuidados para não cair nas muitas armadilhas que obscurecem e confundem as informações.
O mais importante é não perder de vista o objetivo dos gráficos. É como Tufte [TUFTE, Edward Rolf, Visual and Statistical Thinking; Displays of Evidence for Making Decisions. Cheshire: Graphics Press, 2005, pág. 27] escreve: “Representações visuais de informações devem servir ao propósito analítico em questão; se uma questão importante é uma possível relação de causa e efeito, então os gráficos devem organizar os dados de uma forma a iluminar tal ligação. Não é uma idéia complicada, mas é profunda”.
Para servir ao seu propósito analítico, a lógica que orienta a produção do gráfico tem que ter afinidade com a lógica da análise que o produtor quer induzir no leitor.
Em seguida é necessário pensar nos aspectos estruturais e de desenho dos gráficos. Primeiro lembre-se dos elementos básicos de todo gráfico e verifique-os: título, legenda, eixos (nome, escala, marcações), dados, e a área de fundo.
O título deve indicar claramente, e logo em primeira mão, as variáveis que estão sendo representadas. Ao invés de colocar o título “Evolução do preço do café”, prefira “Preço do café (R$) x Último trimestre (dias)”.
Use a rotulação direta (aquela que rotula no próprio gráfico os valores ou a variável daquela indicação) tanto quanto possível, e use as legendas somente quando os dados forem muito complexos para a rotulação direta.
E por falar em legenda e rotulação, nunca se esqueça de colocá-los, assim como as unidades de medida e o que está sendo medido. Um número sem etiqueta é um número sem sentido. Geralmente uma etiqueta tem duas partes: uma unidade de medida e uma descrição do que está sendo medido. Escreva “Litros de água”, ou “Dólares de lucro”, ou “Toneladas de soja”; deve haver sempre uma unidade de medida e a descrição do que está sendo medido. Como uma regra, sempre que houver um número, deve haver um rótulo por perto o descrevendo.
Por mais óbvio que isto pareça, os rótulos são facilmente esquecidos pelo produtor que está tão familiarizado com o gráfico que não consegue imaginar que as outras pessoas não saibam o significado das cores ou siglas.
No entanto, essas legendas e rotulações não precisam ser exageradas ou ter um peso visual muito grande. O tamanho das letras em gráficos pode ser pequena, uma vez que as frases e sentenças não são longas – e, portanto, a fonte pequena não irá fatigar o leitor da mesma forma que faria em textos longos.
Prefira sempre que possível colocar no gráfico os dados, e não as estatísticas desses dados. Assim evita-se a necessidade de explicar as suas assunções para chegar em tais resultados estatísticos, aumenta a eficiência de mostrar os dados, e permite ao consumidor fazer as suas próprias conclusões, determinar se a análise do autor é apropriada, e fazer as suas próprias análises, uma vez que têm os dados brutos em mãos.
Deixe bem clara a relação de causa e efeito entre duas variáveis. Este é outro item que pode ser negligenciado pelo produtor muito familiarizado com os próprios gráficos. Na maioria dos casos um texto acompanhando o gráfico, com explicações, análises e conclusões, é tão importante quanto o gráfico em si. E se possível, devem estar na mesma página.
O gráfico na verdade não é nada mais que uma parte do texto que usa uma forma de comunicação visual, e, portanto, deve estar integrado no texto como qualquer outro parágrafo.
Use a menor quantidade possível de marcações na área do gráfico. Cada traço desenhado deve ter alguma finalidade informativa; se não tem, apague. Evite o já comentado “lixo de gráfico”, e deixe desenhado somente o essencial. Isso significa apagar enfeites, fundos de gráfico visualmente muito pesados, linhas e números de marcação de escala em excesso, legendas demais, e tudo o mais que polui e confunde.
Tenha em mente que a seleção dos eixos para cada variável, normalmente os eixos horizontal e vertical, irão influenciar como a informação é interpretada. Assim como a seleção da escala, que deve dar preferência para as escalas lineares, que são mais fáceis de compreender e comparar. Estes dois assuntos serão explicados com mais detalhe a seguir.